O Blog trata da nova farinha para pães, bolos e doces obtida da polpa e casca do fruto do café cereja; de Créditos de Carbono originários do sequestro de CO2 pelas florestas de cafezais; do Café Carbono Zero, que certifica o café de Minas como commodity agrícola não poluente; e da bebida probiótica KombuCafé, a kombucha que substitui o chá pela casca de café cereja.
Minas cria pão de queijo de café e a bebida probiótica KombuCafé, a kombucha mineira
Minas inova e lança
produtos inéditos no Brasil: pão de queijo
com farinha de casca de
café e a bebida probiótica
KombuCafé, a kombucha fermentada
com casca de café cereja
Pesquisadores
especialistas em café da EPAMIG/EMBRAPA e Universidade Federal de Viçosa – UFV
– desenvolveram dois produtos alimentícios únicos, que não existem no Brasil,
destinados à alimentação humana, que são a farinha de casca de café cereja e a
KombuCafé, uma bebida probiótica como a kombucha, só que utilizando a casca de
café cereja ao invés do chá.
Os produtos
foram desenvolvidos por solicitação dos cafeicultores de Três Corações, MG,
Elisabeth Andrade Figueiredo Santos e Eustáquio Augusto dos Santos e serão
lançados no dia 22 de junho de 2022, em solenidade a ser realizada, das 13 às
17 horas, no salão de eventos Novo Espaço da rua Waldivino Paulo, 35, Cambuci, em
Carmo da Cachoeira, MG.
Cafeicultores,
nutricionistas, agrônomos, empresários e prefeitos da região serão apresentados
aos novos produtos pelos seus desenvolvedores, os pesquisadores em café Sammy
Fernandes Soares, doutor em Agronomia, da Embrapa Café/Epamig; Sérgio Maurício
Lopes Donzeles, doutor em engenharia Agrícola, da (Epamig); e o professor voluntário da UFV – Universidade
Federal de Viçosa, Juarez de Souza e Silva, doutor em engenharia agrícola pela
Michigan State University.
A farinha
para consumo humano da casca de café cereja está no mercado dos Estados Unidos
há mais de 10 anos e é muito utilizada para se fazer pães, bolos, doces,
cookies e quitutes diversos.
No Brasil,
os pesquisadores, por solicitação dos sócios da Fazenda de Café Paiol Três
Corações, desenvolveram a farinha para produção pela cafeicultura familiar e
podem beneficiar cerca de 100 mil pequenos e médios produtores de Minas Gerais.
Em Três
Corações um grupo de mulheres cafeicultoras da Serra das Abelhas criaram
receitas gostosas e nutritivas de pães salgados, inclusive o pão de queijo,
bolos os mais variados, doces, até pé-de-moleque, bolos para todos os gostos e
os conhecidos biscoitinhos da roça, que não faltam nas mesas das fazendas
mineiras. Sempre utilizando a farinha de casca de café cereja obtida pelo
processo de descascamento/despolpamento do café CD.
Também
convidada para o evento promovido pela EMATER, “COMER CAFÉ, a nova maneira de
degustar o arábica”, a vice-presidente do ITAL – Instituto de Tecnologia de
Alimentos – do Estado de São Paulo, Gisele Anne Camargo, vai falar sobre o
processo inventado por ela e colegas para o aproveitamento industrial de
grandes volumes de casca de café cereja.
A farinha é
de gosto neutro, tem cor amarelo/ouro e uma característica nutricional que
supera todas as farinhas do mercado: mais potássio, ferro, cálcio, antioxidante,
proteína, sem glúten, pouca gordura e cafeína.
A nova
bebida chamada KombuCafé, também desenvolvida pelos pesquisadores, é semelhante
à kombucha, a bebida criada pelos chineses no ano 221 a.C na China. Como a
chinesa, a KombuCafé é probiótica, com bactérias e levedura em simbiose com a
casca de café cereja, que, fermentadas, produzem uma bebida deliciosa,
nutritiva e com possibilidades infinitas de saborização, a critério do
consumidor.
CONCERTAÇÃO PELO CAFÉ CARBONO ZERO MINAS GERAIS
Os cafezais de Minas Gerais, com 4,8 bilhões de árvores de café, têm sequestrado apenas da atmosfera cerca de 12.456.000 de toneladas de CO2eq, sem contar as reservas e matas legais obrigatórias que cada propriedade deve preservar e também o carbono estocado no solo dessa cultura que há mais de 200 anos vem substituindo a mata atlântica por floresta produtiva.
O “Projeto
Concertação pelo Café Carbono Minas Gerais” contempla quatro ações a serem
implementadas ao longo do tempo:
1. Medição, auditagem e certificação do
sequestro e emissão de CO2eq das 200 mil propriedades cafeeiras, que ocupam uma
área de 1,2 milhão de hectares, distribuídos por 463 municípios mineiros, e
implantação de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) nas áreas identificadas.
2. Implantação de projeto pioneiro para
a produção industrial de farinha de café para consumo humano e extrato líquido (a ser
utilizado pela indústria de bebidas) proveniente do processo de descascamento
de café cereja para a obtenção dos grãos CD (cereja descascado).
3. Implantação do Projeto “Abelhas no
Cafezal” com o objetivo de aumentar a produção de grãos de café, garantir sua
sanidade, diminuir a emissão de CO2eq por hectare e aumentar a renda dos
produtores também com a comercialização de mel.
4. Implantação do endereço postal para
cada propriedade rural identificada pela ampla atuação da medição e
certificação dos cafezais. Vai possibilitar a inserção social do produtor rural
mineiro, que, pela tecnologia agora disponível (GPS), poderá receber
correspondência e produtos em casa.
O Projeto
Café Carbono Zero é o fio condutor
que abrirá os caminhos para a implantação ao longo do tempo das ações citadas.
O momento
pelo qual passa o planeta tem possibilitado a discussão de muitas pautas de
iniciativas ESG, como Carbono Zero, Net Zero, Economia Circular e Economia
Regenerativa.
O Carbono
Zero estabelece que a operação é neutra em emissão de carbono.
A Net Zero
aplica a medida do Carbono Zero não só à operação, mas também a toda a sua
cadeia de valor, incluindo fornecedores e clientes.
A Economia
Circular aborda a reposição na Natureza do que se utilizou.
A Economia
Regenerativa, além da reposição, considera o investimento para restaurar o
capital natural já utilizado e garantir a sustentabilidade para o futuro.
Implantando
nossas 4 ações podemos abranger os 4 itens ESG considerados.
O mercado de
créditos de carbono criado pelo protocolo de Kyoto de 1997 refere-se apenas às
florestas nativas e se baseia na diminuição de emissão de CO2eq.
Refere-se a
florestas e árvores mas deixa de fora a agricultura, as árvores perenes da
agricultura, as florestas produtivas, as florestas de café.
O nosso
conceito é: os pés de café são árvores perenes, plantadas ao longo de 200 anos,
substituindo a mata atlântica em Minas Gerais, mantendo estável a atmosfera a
níveis de parte por milhão de antes da revolução industrial, e trazendo para
Minas, e para o Brasil, a forte economia cafeeira.
Temos que
provar, com medições e certificações, que nossas florestas de árvores de café
já exercem um poderoso equilíbrio ambiental no sequestro de CO2eq do meio
ambiente pelo processo de fotossíntese de bilhões de árvores de café, das
árvores das matas legais, e da fixação do carbono no solo, em contraposição de
uma diminuta emissão de CO2eq para a produção dos preciosos grãos de café,
considerando apenas a emissão de combustíveis fósseis, gasolina e óleo diesel,
e eletricidade.
Já existe no
Brasil tecnologia e conhecimento para medir, auditar e certificar as
quantidades de CO2eq sequestrados e emitidos pelas fazendas de café, apesar de
nunca feitos até agora.
A Fazenda
Paiol, em Três Corações, sul de Minas Gerais, realizou medições próprias, com
base em estudos acadêmicos de aferições diretas por métodos destrutivos de
algumas árvores de café.
Um hectare
com 4.000 árvores de café sequestra/estoca 10,38 toneladas de CO2eq. Assim, tem
sequestrado/estocado em suas 84 mil plantas, 217,98 tonCO2eq. Como emite apenas
2 tonCO2eq, com o uso de energia elétrica e queima de combustíveis fósseis, tem
um “crédito de carbono” de 215,98 tonCO2eq. É exatamente sobre este ativo
(crédito) de que se trata o projeto.
Este é um
projeto pioneiro. Nós podemos criar as regras de mercado de créditos de carbono
para a cafeicultura partindo do ativo “café carbono” dos produtores de café e os
distribuindo em toda cadeia econômica do café, partindo dos transportadores de
sacas de café das fazendas a até o consumidor de uma xícara de cafezinho em uma
cafeteria em Berlim.
O
ex-ministro Joaquim Levy, hoje banqueiro no Banco Safra, e especialista em
créditos de carbono, tem uma frase sugestiva para nossos propósitos: “Para que
um crédito de carbono seja emitido, é preciso que se comprove que um projeto ou
atividade adiciona vantagem que não existiria sem este crédito”.
Fabio
Passos, diretor da Venture de Carbono da Bayer, reconhece que atualmente os
projetos de venda de crédito de carbono oriundos da agricultura não são aceitos
pela ONU.
Entretanto,
já há títulos sendo vendidos nas bolsas paralelas de carbono, como a “Chicago
Climate Exchange” (CCX) e o Fundo Protótipo de Carbono (“Prototype Carbon Fund”),
do Banco Mundial.
A Bayer já
trabalha com vistas ao sequestro de carbono na agricultura da seguinte maneira:
1) Colocar mais carbono no solo por meio
de práticas ABC (Agricultura de Baixo Carbono);
2) Estimular a metodologia MRV (Medir,
Reportar e Verificar) por meio de novas ferramentas que serão mais baratas,
escaláveis e, claro, aceitas pelo mercado;
3) Inserir a agricultura no mercado
global de carbono, que hoje está muito focado em energia e transporte, que
representam mais de 60 por cento das emissões globais.
Note que a
Bayer fala em agricultura em geral. Não se refere à cafeicultura em particular.
Já temos
empresas no Brasil que fazem a medição, auditoria e certificação.
Por exemplo:
Santos Lab, Delloite, Way Carb e Certifica Minas Café.
A
implantação do Projeto Carbono Zero nas fazendas, e a consequente venda pelos
produtores de café a preços mais elevados do que os valores commodities, pode
provocar:
1. Aumento de área plantada;
2. Aumento de árvores plantadas por
adensamento;
3. Implantação de projetos de energia
solar nas fazendas;
4. Inserção social dos cafeicultores
também pelo endereçamento postal;
5. Saneamento básico nas fazendas;
desenvolvimento dos municípios cafeicultores mineiros pela aplicação do ICMS
Ecológico;
6. E, por óbvio, o aumento da renda dos
cafeicultores, sempre os mais prejudicados na cadeia econômica do café.
O projeto é
ambicioso e pretende fazer ao longo dos anos toda a medição dos 1,2 milhão de
hectares de árvores de café, matas legais e solo dos cafezais de Minas Gerais.
O
financiamento de longo prazo através de “green bonds” está oferecido pelo
governo do Reino Unido em acordo assinado neste ano de 2021 com o governo do
Estado de Minas Gerais. O BDMG é seu agente repassador.
O
financiamento poderia ser concedido a uma ou mais cooperativas de café, que
venderia os cafés carbono zero de seus associados a preços mais elevados
determinados pelos produtores e ajustados pelo mercado.
Pode-se até
mesmo pensar em empresa que faria toda a intermediação entre o financiamento
inglês, os produtores de café, as empresas de medição, auditagem e
certificação, colocação dos Certificados Café Carbono no mercado e pagamento do
empréstimo original. Poderia ser uma cooperativa de café existente, todas as
cooperativas trabalhando juntas ou até mesmo uma nova empresa como a nossa
Paiol Café Carbono.
O governo de
Minas Gerais tem uma agência certificadora em pleno funcionamento com cerca de
1.000 propriedades certificadas, o Certifica Minas Café, que já aplica o
conceito ABC nas propriedades.
Os
compradores dos papéis verdes serão toda a cadeia econômica do café, todos
emissores de CO2eq, inclusive as próprias cooperativas.
Pode-se
criar um mercado de créditos de carbono voluntário, fora das regulações da ONU,
como já existe, com a emissão de debentures incentivadas (Lei 12.431/11; PL
2646/20). Cria-se um mercado para Certificados Café Carbono.
O governo
federal instituiu a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais
através da Lei 14.119, de 13 de janeiro de 2021.
Precisamos
criar um ordenamento técnico/jurídico para validar os novos conceitos de
medição, auditagem, certificação, mercado de papéis verdes.
A ANBIMA
(Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)
acaba de lançar o Guia ASG – Incorporação dos aspectos ASG (critérios
ambientais, sociais e de governança, ou ESG, na sigla em inglês) nas análises
de investimentos, que pode ser bem interessante para nossos projetos.
A Fazenda de Café Paiol Três Corações, que vem desenvolvendo estes 4 projetos, pode ser o Case 1, o projeto piloto de validação de medição e aplicação do Programa ABC.
eustaquiosa@gmail.com WhatsApp (31) 9 9797 9798
Minas vai à Cúpula com Café Carbono Neutro, florestas produtivas e o inovador crédito para o meio ambiente
O setor cafeeiro de Minas Gerais tem a oferecer uma importante contribuição ao debate desse abril de 21 na Cúpula de Líderes para o Clima, convocada pelo presidente Joe Biden, quando o Brasil vai aparecer mais uma vez como o vilão desmatador e sem compromissos.
Os projetos
da marca Café Carbono Neutro, os Créditos de Carbono provenientes de sequestro
de CO2 pelos cafezais e o novo conceito de “Florestas Produtivas” apresentam
uma novidade para os debates sobre a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).
A diretora
executiva da poderosa Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Vanusia
Nogueira, já indicada pelo Brasil para a direção da Organização Internacional
do Café (OIC), em Londres, poderia sugerir a novidade nas discussões da Cúpula
do Clima 2021.
A cultura do
café, a mais importante commodity agrícola brasileira, está ameaçada de enormes
perdas por sua transferência geográfica para climas mais frios em função do
aquecimento global.
Cafeicultores
de Três Corações, no sul de Minas, já trabalham com a ideia dos cafezais como “florestas
produtivas”, uma vez que as árvores que produzem café também sequestram da
atmosfera 10,38 toneladas de CO2 por hectare, e as fazendas que as abrigam
emitem um mínimo de carbono, na proporção de 10 para 1, para produzir na maior
floresta de cafés do mundo os preciosos grãos que nos dão a bebida mais
consumida do planeta.
O novo conceito
da “floresta produtiva” é o de que os cafezais são árvores perenes que produzem
os frutos do café e ainda sequestram e estocam CO2, cumprindo dupla função em
favor do meio ambiente e da economia nacional, além de oferecer ao mundo uma
bebida saudável, energética e nutritiva.
A marca Café
Carbono Neutro já desperta interesse na Europa e vai certificar as propriedades
mineiras que produzem o novo café limpo e não poluente.
Na esteira
dessa relação entre crédito e débito, com o crédito de muito sequestrar CO2, e
débito de pouquíssimo emitir CO2 para produzir a valiosa commodity café, está
sendo criado em Minas um inédito sistema de crédito de carbono, nos moldes do
existente certificado pela ONU, mas aqui certificado por instituição
independente e com expertise.
O projeto
piloto está sendo criado em Minas Gerais por ser o maior produtor de café do
mundo, com a maior área de florestas de café do planeta, com 1 milhão e 200 mil
hectares, que sequestram 12.456.000 de toneladas de CO2, considerando uma
população média de 4 mil plantas por hectare.
Com a nova
tendência de adensamento dos cafezais, pode-se dobrar o número de árvores por
hectare, o que dobra também a tonelagem de CO2 que estará sendo sequestrada e
estocada nas árvores, transformadas em celulose pelo processo de fotossíntese.
As florestas
de café de Minas não se comparam às nativas da Amazônia na tonelagem de CO2
retirado da atmosfera. Estudos indicam que sequestram cerca de 7 por cento do
que estocam as árvores da Amazônia, mas sequestram cerca de 97 por cento de uma
capoeira em regeneração de 5 anos na mesma floresta amazônica.
Eustaquio Augusto dos Santos é Cafeicultor e Editor do Blog comercafe.blogspot.com
Cafezais sequestram CO2 e emitem créditos de carbono em novo mercado de papéis verdes. Surge a moeda BitCafé
O maior produtor de café do mundo, o Estado de Minas Gerais, que também possui a maior área plantada com árvores de café, está iniciando projeto para o lançamento da marca-conceito Café Carbono Neutro, provando, com estudos científicos e medições de alta precisão, que as florestas de pés de café sequestram bem mais CO2 do que emitem para produzir os preciosos grãos de café.
Com esta
certificação, produtores e instituições estudam iniciar concomitantemente o
mercado de créditos de carbono para a cafeicultura, nos moldes da certificada
pela ONU, mas esta certificada por instituição independente e negociada entre
os portadores primários da moeda-café, os cafeicultores, e empresas,
instituições e cooperativas envolvidas no negócio do café.
O
cafeicultor Eustáquio Augusto dos Santos, de Três Corações, no sul de Minas,
tem debatido o assunto com entidades e o poder político e todos se mostram
interessados na questão, especialmente porque, pela primeira vez, um estudo
acadêmico, uma tese de doutorado de pesquisadora da Unicamp, determinou que um
hectare de cafezal com cerca de 4.000 plantas sequestra e estoca 10,38
toneladas de carbono da atmosfera.
Outros
estudos mostram que a relação entre crédito de carbono que a propriedade
sequestra da atmosfera, e o débito, que ela emite com eletricidade e
combustíveis fósseis para manter o cafezal produzindo chega a ser 10 para 1.
A marca Café
carbono Neutro vai mostrar aos mineiros, aos brasileiros e ao mundo que o nosso
café é também um produto limpo, perfeitamente sustentável, que sequestra CO2, o
dióxido de oxigênio, e ainda leva às nossas mesas a bebida mais consumida no
mundo.
Este projeto
se encaixa perfeitamente com os esforços de mitigação dos Gases de Efeito
Estufa (GEE), uma vez que a agricultura com plantas perenes, como é o caso do
café, são “sumidouros de carbono”, como definido pelo Protocolo de Kyoto.
O café com a
certificação carbono neutro será de melhor qualidade, portanto mais valorizado
no mercado, e ainda vai introduzir no mercado uma nova “bolsa de papéis verdes”,
com os produtores emitindo seus créditos e os empresários incentivados
negociando esses papéis. Poderá ser criada no mercado uma nova moeda verde, a BitCafé.
SEQUESTRO DE CO2 NOS CAFEZAIS CRIA MOEDA VERDE E CAFÉ CARBONO NEUTRO EM MINAS GERAIS
O café entrou no Brasil colonial pelas artimanhas de um sargento namorador, que trouxe das Guianas as preciosas sementes contrabandeadas para as terras do Pará.
E aqui
floresceu, virou o ouro verde, símbolo do país, fez fortunas e criou uma
cultura social pelo “café à mesa”.
Sempre foi
solução para a sempre combalida economia brasileira.
E agora pode
ser solução novamente, com novos produtos e negócios provenientes da atividade
cafeeira.
Nestes
tempos de sérias preocupações pela emissão de gases de efeito estufa, os
cafezais mineiros, os maiores do mundo, respiram fundo e entram no poderoso
negócio dos créditos de carbono.
Descobrimos,
nós mineiros, que o café é um produto limpo, uma agricultura que sequestra e
estoca muito mais carbono do que emite (combustíveis para tratores e
equipamentos e eletricidade) para a produção dos preciosos grãos.
O pé de café
é uma árvore perene, tem vida longa. Estudos recentes provam que cada hectare
plantado com 4 mil pés de café, a média nacional, sequestra (tira da atmosfera)
e estoca em seus troncos 10,38 toneladas de CO2. Sim, 10 toneladas, imagine, em
cada hectare. E sem contar os 10 por cento sobre o tamanho da propriedade das
matas legais obrigatórias.
Minas
Gerais, o maior produtor de café do mundo, tem cerca de 1.200.000 hectares
plantados em 463 municípios com 4 bilhões e 800 milhões de árvores de café e
sequestra a estupenda cifra de 12.456.000 toneladas de CO2.
É menos do
que as plantas da floresta amazônica? Claro, são árvores mais baixas, de
troncos mais finos, mas que produziram, na safra 2019/2020, 33,5 milhões de
sacas somente em Minas. E geraram milhões de dólares de divisas.
O movimento
para a nova revolução cafeeira está em monetizar os créditos de carbono das
florestas de cafés do Estado, em “papel verde”. Está provado que a atividade
cafeeira sequestra muito mais do que emite para produzir o café. Numa relação
débito/crédito, estes créditos se transformam no papel verde, aliás já
existente no mundo, mas atualmente pouco utilizados em países como Brasil, Índia
e China por problemas variados.
Minas Gerais
tem 130 mil produtores de café que geram uma cadeia de 3 milhões de empregos.
Monetizados, estes “papéis verdes”, não confundir com o dólar, podem ser
utilizados para compensação de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) de
empresas como indústrias, comércio, cooperativas, como incentivos ou descontos.
O mercado decide como utilizar.
E Minas
Gerais sai na frente ao oferecer ao mundo o Café de Carbono Neutro, uma
chancela de saúde, economia e publicitária que poucos produtos agrícolas podem
oferecer, como a soja, por exemplo, uma planta rasteira que sequestra
pouquíssimo CO2 e emite uma enormidade para produzir.
E este
movimento se inicia em Minas porque temos uma lei estadual chamada Robin Hood
que trata do ICMS Ecológico. Com o acréscimo de um ou dois artigos, as
florestas de cafezais podem ser inseridas na lei e o ICMS beneficiar os
municípios produtores de café.
O movimento
de produtores e pessoal do mercado está se mexendo para debates com as federações
de agricultores, deputados e prefeitos. Quem sabe algumas boas conversas virtuais
em mesas de cafezinho e quitutes mineiros todos nós possamos nos entender?
Créditos Carbono podem ser usados nos cafezais de MG
O EFEITO BORBOLETA NA
CAFEICULTURA
Eustaquio Augusto dos
Santos, Jornalista e Cafeicultor *
(eustaquiosa@gmail.com)
O efeito
borboleta é uma figura retórica que nos remete ao fato de que o bater de asas
de uma borboleta tem repercussão no espaço e no tempo, aqui ou longe daqui.
O simples
ato de um apressado bancário levantar e beber uma xicrinha de café no “Café
Nice”, no centro de Belo Horizonte, tem efeitos sociais e econômicos na
cafeicultura de Minas Gerais, o maior produtor de café do mundo.
No instante mesmo
em que a Humanidade enfrenta uma crise sanitária sem precedentes e tenta com
pouco sucesso diminuir a emissão de gases de efeito estufa, a cafeicultura, em
ato reflexo, oferece importante contribuição à economia e ao meio ambiente.
Como sequestrar
e estocar o poluente dióxido de oxigênio (CO2) nos 4 bilhões e 800
milhões de pés de café plantados em 1 milhão e 200 mil hectares no estado de
Minas Gerais.
Também pode
diminuir a quase zero a emissão do pernicioso óxido nitroso proveniente da
adubação química e orgânica de seus cafezais.
E aproveitar
100 por cento do fruto de café ao utilizar a polpa e a casca para produzir um
novo produto para a alimentação humana, uma riquíssima, valiosa e muito
nutritiva farinha para produção de pães, bolos, doces e quitutes variados.
Uma única e
enorme fazenda de café em São Paulo e Minas, em fins do século XIX, financiou a
invenção dos aviões em Paris pelo mineiro Santos Dumont.
Agora, quem
sabe, os nossos cafezais podem financiar com créditos carbono um estoque de
12.456.000 de toneladas de CO2 em nossas perenes plantas de café cultivadas
em Minas Gerais.
Pode ser o
bater de asas a ser replicado em mais um milhão de hectares plantados em outros
estados brasileiros e tantos outros milhões estocados nos cafezais do restante
do planeta.
Estudos
acadêmicos realizados no município de São Sebastião do Paraíso, em fazenda de
café da Empresa de Pesquisas Agropecuárias de Minas Gerais (EPAMIG), mostram
que cada hectare com cerca de 4 mil plantas, a pleno sol, sequestra e estoca
10,38 toneladas de carbono.
O mercado de
créditos carbono internacional paga entre 4 a 7 euros por tonelada de carbono
sequestrado de nosso poluído ar. Apenas como exercício aritmético, imaginemos
que estas 12,456 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2)
estocadas em Minas Gerais possam ser convertidas em euros, a preço de 5 euros
por tonelada. Teremos 62.280.000 euros, ou 373.680.000 de reais (com o euro a
R$6) referentes aos nossos 1.200.000 hectares cultivados em MG com a planta
mais importante para a economia brasileira durante 300 anos e que nos oferece
os preciosos grãos de café, a bebida mais consumida no mundo, depois da água.
Estes
valores podem não ser expressivos, mas indicam ao mundo que o café, além de
todos os benefícios sociais e econômicos, também oferece sua contribuição ao
sequestrar e estocar gases de efeito estufa (GEE), e contribui para minorar o
aquecimento global.
Ou seja, o
café é uma planta ecológica, ao contrário das pastagens, que servem ao gado, um
dos maiores poluidores do planeta.
Já podemos
fazer companhia àquele apressado bancário do “Café Nice” e tomar nossa xícara
de café sem remorsos. E melhor, acompanhado de um pãozinho com manteiga.
Pãozinho que
em breve poderá estar sendo levado ao forno feito inteiramente de farinha da
casca e polpa da fruta do café, atualmente desperdiçada em montanhas de matéria
orgânica largadas ao sol, emitindo gás metano e com seu chorume infiltrando
pelo solo e águas de Minas, do Brasil e do mundo.
Os
americanos inventaram o processo que utiliza a casca do café despolpado para
produzir farinha destinada ao consumo humano e utilizada em pães, bolos, doces,
quitutes. Ela é igual a todas as farinhas, não tem gosto, mas se distingue de
todas as outras pelo seu enorme aparato nutricional.
A Fazenda
Paiol, em Três Corações, no Sul de Minas, associada à Epamig, já produz esta
farinha em caráter experimental.
Este é um
método inovador para o aproveitamento integral do fruto do café maduro: grãos,
para a bebida, polpa e casca, para a farinha. Para cada saca de 60 kg de café
produzido, consegue-se 40 Kg de farinha. E esta farinha já é vendida nos
Estados Unidos a US$20 o Kg, R$100 o Kg se considerarmos o dólar a R$5.
O terceiro
fator no qual a cafeicultura pode se apresentar mostrando seu comprometimento
com o meio ambiente diz respeito aos fertilizantes que utiliza.
E um dos
principais é o nitrogênio, que faz parte do importante grupo de fertilizantes
NPK, nitrogênio, fosforo e potássio.
No cultivo
do cafeeiro, a maior parte das emissões de gases de efeito estufa (GEE) provém
da aplicação de adubos nitrogenados. O alto impacto relativo do uso de
fertilizantes nitrogenados se deve, principalmente, à emissão de N2O,
após reações do fertilizante no solo
O óxido nitroso (N2O) é um importante gás
ativo no efeito estufa (GEE), por apresentar
elevado potencial de aquecimento global (PAG), cerca de
300 vezes superior ao dióxido de carbono (CO2), o que explica a
importância da sua emissão pelos sistemas de produção agrícola.
Especificamente
com relação aos fertilizantes minerais e orgânicos e a mineralização de nitrogênio
dos resíduos culturais, o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC)
considera que 1% da quantidade de N aplicada é perdido na forma de N2O,
embora a faixa de incerteza esteja entre 0,3% e 3% (IPCC, 2006).
Estudos
recentes relataram que 84% das emissões anuais de N2O do solo
ocorrem após a aplicação de fertilizante nitrogenado. A influência da adubação
nitrogenada sobre os fluxos de N2O é mais pronunciada nas primeiras
semanas após a aplicação do fertilizante.
Para atingir
níveis ótimos de produtividade, a cultura do cafeeiro necessita da aplicação de
grandes quantidades de fertilizantes nitrogenados; porém, esta prática acarreta
elevadas emissões de N2O para a atmosfera.
Portanto,
para conferir menor risco ambiental aos sistemas de produção, algumas medidas
devem ser adotadas para mitigar as emissões de GEE (sobretudo N2O) na
atmosfera, sem prejuízo das necessidades nutricionais e dos níveis de
produtividade do cafeeiro.
Há algumas
ações que podem diminuir esta emissão de nitrogênio para a atmosfera, como os
tipos de adubo, a dose correta e sistemas agroflorestais.
O autor
oferece estas sugestões ao meio cafeeiro, como forma de, quem sabe,
sensibilizar políticos, autoridades e cafeicultores a tornarem efetivas estas
medidas.
Todas as
informações e dados constantes do presente artigo estão disponíveis na
internet, aliás a principal fonte do autor.
*Escreveu o
e-book COMER CAFÉ, disponível na amazon.com.br, foi chefe de redação do jornal “O
Globo”, sucursal de Belo Horizonte, e repórter de “O Estado de S. Paulo”,
sucursal do Rio de Janeiro.
Você vai comer pão de farinha de casca de café. E vai gostar
O que um
padeiro com Ph.D. em física, um executivo da rede de cafeterias Starbucks e o
bilionário Bill Gates têm a ver com Minas Gerais, o maior produtor de café do
mundo se fosse considerado como um país?
Pois foi de
Minas, de Carmo de Minas, que saíram os primeiros lotes de um resíduo de polpa
e casca de café que deram origem à mais nutritiva e vitaminada farinha natural para
consumo humano de que se tem notícia no mundo, melhor do que as farinhas de
trigo, mandioca ou milho. Uma farinha ótima para pães, bolos, biscoitos,
cookies e o que mais vier com a criatividade dos chefs de cozinha.
Este
“resíduo” é a sobra do processo de descascamento/despolpamento da fruta madura de
café, conhecida como café cereja, antes de ela ser secada nos terreiros. Os
grãos são extraídos da fruta madura, secados sem a casca e se transformam no café
CD (cereja descascado), um café gourmet especial, mais valorizado nas bolsas de
mercadorias.
A ideia de utilizar o que sobra do processo, essa matéria orgânica, hoje descartada
nas fazendas de café, foi do ex CEO da Starbucks, Dan Belliveau, que levou o assunto para Nathan Myrvold, o fundador da Intellectual Ventures, a maior empresa de invenções do planeta, com milhares de patentes nas áreas da física nuclear, ótica e ciência da alimentação.
Myrvold, Ph.D.
em física, é um apaixonado por culinária, escreveu oito livros sobre o assunto,
inclusive um dedicado aos pães, premiado nos EUA. Foi diretor de pesquisas da
Microsoft e convidou seu antigo patrão, Bill Gates, para financiar a invenção, já
patenteada, do processo industrial de transformar o tal “resíduo” em farinha
para consumo humano.
A farinha
está no mercado dos Estados Unidos desde 2014, custa US$20 o quilo, R$100 o kg com
o dólar a R$5 e apresenta a seguinte composição nutricional: mais antioxidante
por grama do que a romã, mais fibra do que a farinha de trigo integral, mais
proteína do que a couve fresca, menos gordura e mais fibras do que a farinha de
coco, mais ferro do que o espinafre fresco e mais potássio por grama do que a
banana.
Esta farinha,
rica naturalmente pela esmerada adubação dos cafezais, só existe para venda e
consumo nos Estados Unidos. O Brasil sequer conhecia o assunto até agora,
quando o jornalista e cafeicultor mineiro Eustáquio Augusto dos Santos tomou
conhecimento do assunto, fez um projeto para produção da farinha e escreveu uma
grande reportagem publicada em outubro de 2020, em e-book, pela amazon.com.br
sob o título de “COMER CAFÉ”.
O Brasil tem
10 milhões de toneladas do tal “resíduo”, montanhas de matéria orgânica em
decomposição jogadas fora ou subaproveitadas como adubo, poluindo o solo e as
águas, através do chorume, e o ar, pelo gás metano.
No projeto
de fabricação da farinha de casca de café CD (cereja descascado), Eustáquio
Augusto dos Santos, da Fazenda Paiol, de Três Corações, MG, conseguiu
sensibilizar uma equipe de pesquisadores da Embrapa Café, EPAMIG e Universidade
Federal de Viçosa, que desconheciam a existência da tal farinha.
Os pesquisadores
inventaram então um método artesanal de fabricação da farinha que pode
sofisticar a culinária, com a possibilidade de tornar mais nutritivos e
gostosos pães, bolos, biscoitos, cookies e até bebidas.
No desenvolvimento
do processo, a equipe do agrônomo Sammy Fernandes Soares, da Embrapa
Café/Epamig, de Viçosa, descobriu um método para se produzir, também, um
extrato líquido, com todas as propriedades nutritivas da farinha, de preciosa
utilização para as indústrias de bebidas, farmacêuticas e cosméticas.
No trabalho científico
feito por Sammy Fernandes e apresentado no X Simpósio de Pesquisas de Café provou-se
que para cada saca de 60 quilos de café CD, o processo produz 34,4 quilos de
farinha e 59,2 litros de extrato.
Elisabeth
Andrade Figueiredo Santos, proprietária da Fazenda Paiol, em Três Corações, sul
de Minas, esposa de Eustáquio Augusto dos Santos, já faz deliciosos biscoitos,
pães e bolos com esta vitaminada farinha. E ainda produz uma calda doce com o
extrato que, despejada sobre os bolos, é festa para o paladar.
A Fazenda
Paiol exporta cafés especiais para a Alemanha, através de sua associada
importadora em Berlim, Isa Bee Coffees, que se prepara para futuramente colocar
no mercado europeu essa nutritiva farinha de casca de café CD.
Em Minas, a
Cafeteria Grão da Terra, na BR-381, em Três Corações, será a distribuidora do
novo produto, segundo sua proprietária Marjorie dos Reis Santos Pereira.
Assista ao vídeo que ensina a produzir farinha das frutas de cafés especiais
Assista o vídeo no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=ss9kgAMtJnY&list=PL9mXr3pROorcUb0DJ0NcVXs86XT0TD0PZ&index=2
O processo
de fabricação da farinha da polpa e casca da fruta madura de café está pronto e
funcional. Criado por sete pesquisadores mineiros e capixabas é um grande passo
para que a cafeicultura familiar que se dedica à produção de cafés especiais
consiga renda extra importante fabricando também a farinha nutritiva e
vitaminada naturalmente.
Os
pesquisadores Juarez de Souza e Silva ( Embrapa Café, Universidade Federal de
Viçosa, Epamig ), Sammy Fernandes Soares ( Embrapa Café, Epamig ), Sérgio Maurício
L. Donzeles ( Epamig-Sudeste ), Marcelo de Freitas Ribeiro ( Epamig Sudeste ),
Lucas Louzada Pereira ( Instituto Federal de Ensino Superior – campus de Venda
Nova do Imigrante IFES-VNI ), Douglas Gonzaga Vitor ( Embrapa Café ), Aldemar
Palonini Moreli ( IFES-VNI ) produziram um vídeo mostrando todo o processo.
Este vídeo vai
ilustrar a participação dos pesquisadores na Semana Internacional do Café a ser
realizada de 18 a 20 de novembro totalmente digital.
Trigo e Café, na mesa conosco, saborosos e domesticados
O trigo
domesticou a humanidade, tornou os homo
sapiens sedentários e possibilitou o surgimento das primeiras cidades, como
grandes assentamentos de pessoas dedicadas ao cultivo do trigo e processamento
da preciosa farinha.
Bem lá
atrás, há cerca de 12 mil anos, os homens deixaram de ser coletores/caçadores
para serem agricultores, o que os historiadores chamam de revolução agrícola,
ocorrida após a última era glacial, ocorrência de muita chuva e surgimento das
gramíneas, entre elas o trigo.
O trigo
chegou até aqui ocupando uma área total de cultivo no mundo da ordem de 2,5
milhões de quilômetros quadrados, alguma coisa como nove vezes o território do
estado de São Paulo. E é responsável pelo consumo de 15 por cento do valor calórico da
humanidade.
Segundo o
historiador Yuval Noah Harari, best seller com seu livro “Sapiens, uma breve
história da humanidade”, a palavra domesticar vem do latim, domus, casa. E ele
pergunta: quem ficou em casa para cuidar da plantação, colheita e processamento
do trigo, deixando de ser caçador/coletor, para virar agricultor? Foi o homem,
não o trigo.
A história
mostra a importância da farinha na transformação da sociedade e sua
alimentação, com a farinha de trigo hoje onipresente em nossas vidas nos pães,
bolos, massas, doces, uma infindável lista de alimentos processados.
O trigo é
plantado para ser transformado em farinha, tem um ciclo curto de crescimento,
poucos meses, e depois de colhido, nova plantação, novo processo. O café é uma
planta perece, em três, quatro anos já está produzindo e depois chega aos 100
anos com facilidade.
O coffea arabica não tem essa história toda. Talvez uns mil anos, desde a Etiópia, na
África, até 1724, quando foi contrabandeado da Guiana francesa para o estado do
Pará, pelo sargento Palheta.
O Brasil se
tornou o maior produtor mundial, dando enorme contribuição para que a bebida
mais consumida no mundo também tivesse uma história marcante, apesar de ser uma
criancinha, mil anos apenas, frente aos 12 mil, quase 18 mil anos do trigo
selvagem.
E nesses
anos todos a fruta do coffea arabica só
forneceu seus grãos para a famosa bebida, desperdiçando polpa e casca, metade
da fruta em relação ao seu peso.
Polpa e
casca que agora vão virar farinha, mais nutritiva até do que a farinha de
trigo. E como o patriarca longevo, transformar-se em importante matéria prima
para a fabricação de pães, bolos, doces e massas, tão gostosos quanto, e mais
nutritivos com certeza.
A farinha de
café cereja inventada pelos americanos e em oferta há seis anos nos Estados
Unidos, tem mais ferro do que o espinafre, mais potássio do que a banana, mais
proteína do que a couve fresca, mais antioxidante do que a romã e mais fibra
por grama do que a farinha de trigo integral.
Esta farinha
obtida do excedente de polpa e casca da fruta de café cereja descascado também
foi conseguida em Minas Gerais, em processo criado por pesquisadores da área
cafeeira da Embrapa Café, Epamig e Universidade Federal de Viçosa. Em breve vai
estar no mercado brasileiro.
A fruta de café será finalmente 100% aproveitada e vai oferecer ao mercado pós covid novos lucros
O negócio do
café no Brasil é muito importante para desconsiderar o desenvolvimento do
processo industrial criado por pesquisadores mineiros no aproveitamento do
excedente de polpa e casca de café nas fazendas brasileiras.
Este
excedente é proveniente de um método inovador que surgiu nos anos 1980, quando
se começou a falar nos chamados cafés especiais, com 80 pontos ou mais na
classificação da SCAA – Specialty Coffee Association of America.
Esse processo
consiste em produzir o café cereja descascado, o CD, já cotado nas bolsas de
mercadorias e cooperativas cafeeiras, mais valorizado, mais caro e mais
interessante para cafeicultores e consumidores, que passam a beber um café de “bebida
mole”, mais doce e notas marcantes.
O método,
porém, provoca um excedente de polpa e casca da fruta de café madura, quando da
extração dos grãos antes do método natural de secagem do fruto.
São 10
milhões de toneladas por colheita despejadas nas fazendas brasileiras,
simplesmente jogadas fora ou subutilizadas para reforçar a adubação dos
cafezais.
E são
montanhas de matéria orgânica fermentando ao sol, provocando chorume, poluindo
o solo, águas e o ar com a emissão de gás metano.
Pelo
processo de transformação desta rica matéria orgânica em farinha para consumo
humano desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Café, Epamig e Universidade
Federal e Viçosa, para cada saca de 60 kg de café CD produzido, pode-se
conseguir 35 kg de farinha e 60 litros de um poderoso extrato, uma calda, que
pode ser utilizado pelas indústrias de bebidas, cosméticos e farmacêutica.
Simplesmente
utilizando-se de um excedente hoje descartado pelas fazendas brasileiras e
mundiais.
Esta farinha
foi inventada há seis anos nos Estados Unidos e custa, a preços de hoje para o
consumidor final norte-americano, US$20 o kg, ou R$112,00 com o dólar a R$5,60.
Em simples exercício aritmético, o produtor brasileiro que já utiliza o processo do café CD, poderia ter um acréscimo de R$95,00 por cada saca se vendesse sua farinha e extrato a R$1,00 o quilo e o litro, respectivamente.
Você vai comer pão feito com farinha de café. Você vai comer café
Por quê aqui
se fala em comer café? Nosso projeto tem o objetivo de produzir farinha
nutritiva utilizando o excedente da fruta madura de café, polpa e casca, descartados
nas fazendas, no processo de produção dos cafés especiais CD, ou Cereja
Descascado.
Quando
falamos em comer café nos referimos a comer pães deliciosos, bolos de dar água
na boca, doces dos sonhos, massas para macarrão, pizzas e o que mais a
imaginação culinária do mundo puder imaginar para fazer com esta farinha
vitaminada naturalmente, da planta para sua mesa.
O que estamos chamando de NOVO CAFÉ, ou Farinha da Fruta de Café Cereja PC (polpa e casca) não é um composto vitamínico, não é uma farinha pobre na qual se adiciona nutrientes para torná-la saudável na alimentação escolar.
A nova farinha é naturalmente nutritiva, não sofre adição de vitaminas ou nutrientes, minerais ou proteínas. Ela tem tudo isso naturalmente, vindo da terra através dos fertilizantes caríssimos, geralmente importados em dólares, e generosamente adicionados pelos cafeicultores à terra brasileira para a produção dos melhores cafés do mundo.
Aqui se fala
de uma farinha produzida a partir da fruta madura do café, que é composta,
simplificadamente, em grãos, polpa e casca. Os grãos, as sementes, viram a
bebida de café que conhecemos e tanto amamos, e o outro café, polpa e casca,
que continuam sendo café, se transformam nesta farinha que só existe nos
Estados Unidos.
E está no
mercado norte-americano desde 2014 devido à genialidade de um empresário, Dan
Belliveau, que abandonou a Starbucks, a maior franquia de cafeterias do mundo,
para se dedicar a esta ideia da farinha naturalmente nutritiva.
Para
desenvolver sua ideia, ele procurou um padeiro, mas não um padeiro qualquer,
ali da padaria da esquina. Um padeiro com Ph.D. em física, dono da maior
empresa de invenções do planeta, a Intellectual Ventures, dedicada a criar
soluções nas áreas da física nuclear, ótica e ciência da alimentação.
Nathan
Myrvold foi diretor de pesquisas da Microsoft, escreveu oito livros sobre
culinária, inclusive um dedicado exclusivamente aos pães, uma coleção premiada
nos Estados Unidos, e vendida em caixas espetaculares, em inglês, por R$4.500,00
na amazon.com.br. O terceiro envolvido é o bilionário Bill Gates, dono da Microsoft, inventor do windows, que financiou o projeto.
No Brasil,
esta informação foi colhida pelo jornalista e cafeicultor Eustaquio Augusto dos
Santos, editor deste Blog e autor do livro “COMER CAFÉ”, à venda na loja Kindle
da amazon.com.br e em mais 16 países.
Por
provocação deste autor, uma equipe de pesquisadores da Embrapa Café, Epamig e
Universidade Federal de Viçosa desenvolveu um processo único e inédito que
também chega à farinha naturalmente nutritiva.
Tanto a
farinha americana, quanto mineira, são produzidos com o excedente de um
processo criado há cerca de 30 anos para se produzir cafés especiais e que
consiste no despolpamento/descascamento da fruta madura do café cereja.
Os chamados
cafés CD (Cereja Descascado) são especiais, mais caros e cotados nas bolsas de
mercadorias do mundo.
Cerca de 15
por cento da produção brasileira de café, se destina aos cerejas descascados.
PESQUISA QUE ORIGINOU O PROJETO DA FARINHA DA FRUTA DE CAFÉ EM MINAS
O Blog COMER CAFÉ publica a pesquisa científica realizada por grupo de pesquisadores da EMBRAPA CAFÉ e EPAMIG apresentado em outubro de 2019 no X Simpósio de Pesquisas dos Cafés no Brasil, em Vitória, no Espírito Santo.
Foi a partir das informações colhidas em fontes norte-americanas e este trabalho que o cafeicultor e jornalista Eustaquio Augusto dos Santos, editor deste Blog, passou a trabalhar com os pesquisadores para desenvolver o projeto Café com Pão, implantá-lo na Fazenda Paiol, em Três Corações, no sul de Minas, e levar este conhecimento aos interessados em produzir a super farinha da polpa e casca da fruta de café cereja e um extrato líquido, uma calda, proveniente da polpa, que poderá ser de grande interesse para indústrias de bebidas, cosméticos e farmacêuticas.
Segue a íntegra da pesquisa dos mineiros:
TEORES DE
NUTRIENTES NO EXTRATO MUCILAGINOSO E NA FARINHA DA CASCA DOS FRUTOS DE CAFÉ1
Sammy
Fernandes Soares2; Juarez de Sousa e Silva3, Aldemar Polonini Moreli4, Sérgio Maurício Lopes Donzeles5, Marcelo de Freitas Ribeiro6, Douglas Gonzaga Victor7, Victor Sérgio dos Santos
1 Trabalho financiado pelo Consórcio Pesquisa Café.
2 Pesquisador, DS, Embrapa Café/ EPAMIG, sammy.soares@embrapa.br
3 Professor Voluntário, PhD, DEA/UFV, Bolsista Consórcio
Pesquisa Café, juarez@ufv.br
4 Professor, DS, IFES, Campus de Venda
Nova do Imigrante, aldemarpolonin@gmail.com
5 Pesquisador, DS,
EPAMIG SUDESTE, slopes@epamig.br
6 Pesquisador, DS, EPAMIG SUDESTE,
mribeiro@epamig.ufv.br
7 Bolsista Consórcio Pesquisa Café, BS,
douglas.vitor@ufv.br
8 Estudante de Agronegócio, UFV,
estagiário na EPAMIG, vitor.santos.sergio@gmail.com
RESUMO: O processamento dos frutos de café visando obter o
café cereja descascado gera como resíduos a casca, que é aproveitada na
adubação e na alimentação animal, e a mucilagem, que sai junto com a água
residuária. O trabalho teve como objetivo determinar os teores de nutrientes no
extrato mucilaginoso e na farinha da casca dos frutos de café das variedades
Oeiras, Catiguá e Catuaí Vermelho. Os frutos de café foram lavados em água
potável e descascados, sem usar água no descascador. O café cereja descascado foi
posto em bandeja de plástico com água suficiente para recobrir os grãos e, no
dia seguinte, peneirou-se o café e separou-se o extrato mucilaginoso. A casca
foi posta para secar, em estufa com ventilação forçada, e depois foi moída.
Amostras do extrato mucilaginoso e da farinha da casca dos frutos foram
analisados em laboratório, conforme métodos usuais de análise de efluentes e
alimentos. Os níveis de K, Ca, Mg e Na, determinados no extrato mucilaginoso
das variedades Oeiras, Catiguá e Catuaí Vermelho
variaram de 662 a 3307, 154 a 317, 60 a 114 e 12 a 108 mg.L-1e o
teor de proteína, carboidrato, fibra, gordura e K na farinha das variedades
Oeiras e Catiguá foram 9 e 8, 65 e 68, 19 e 12, 1 e 0.8, e 2700 e 5150 g.100 g-1,
respectivamente. O extrato mucilaginoso e a farinha da casca dos frutos
de café podem ser aproveitados pela indústria para fabricação de vários
produtos.
PALAVRAS-CHAVE: pós
colheita, processamento, resíduo
NUTRIENT CONTENT IN MUCILAGINOUS EXTRACT AND SHELL FLOUR OF COFFEE FRUIT 1
ABSTRACT:
The processing of coffee fruits to obtain the peeled
cherry coffee generates as residues the shell, which is used in fertilization
and animal feed, and the mucilage, which comes out with the wastewater. The
objective of this work was to determine the nutrient content in mucilaginous
extract and shell flour of the coffee fruits of the Oeiras, Catiguá and Catuaí
Vermelho varieties. The coffee fruits were washed, using potable water and
peeled without using water in the peeler. The peeled cherry coffee was placed
in a plastic tray with water to cover the beans and in the next day the coffee
was sieved and the mucilaginous extract was separated. The husks were put to
dry in a forced ventilated oven and ground after drying. Samples of
mucilaginous extract and fruit shell flour were analyzed in the laboratory,
according to usual methods of effluents and food analysis. The levels of K, Ca,
Mg and Na, determined in the mucilaginous extract of the Oeiras, Catiguá and
Catuai Vermelho varieties ranged from 662 to 3307, 154 to 317, 60 to 114 and 12
to 108 mg.L-1. The protein contents, carbohydrate, fiber, fat and K
in the flour of the Oeiras and Catiguá varieties were 9 and 8, 65 and 68, 19
and 12, 1 and 0.8, and 2700 and 5150 g/100g, respectively. The mucilaginous
extract and the flour of the coffee fruit husk can be use by the industry to
manufacture various products.
KEY WORDS: post harvest, processing, waste.
INTRODUÇÃO
O
fruto de café é constituído pelo exocarpo, mesocarpo e endocarpo, comumente
denominados casca, polpa e pergaminho, respectivamente, e pela semente,
envolvida pelo pergaminho. A casca dos frutos de café maduros, pode ser
separada da semente mediante pressão com os dedos; a camada sólida da polpa e
parte da líquida, denominada mucilagem, fica aderida à casca, enquanto a outra
parte fica junto ao pergaminho. Nas unidades de processamento os frutos passam
pelas operações de limpeza e lavagem, e, com menor frequência, pelo descascamento
e remoção da mucilagem. A retirada da casca reduz o volume de material e o
tempo na secagem do café, diminuindo o custo desta operação, além de
possibilitar a formação de lotes de café descascado de frutos maduros, dos
quais se obtêm as melhores bebidas. Na etapa de descascamento, parte da
mucilagem adere-se às cascas e aos grãos descascados e parte sai na água que
passa pelo descascador. Para facilitar o manejo na secagem, remove-se
parcialmente a mucilagem aderida aos grãos, pelo processo mecânico usando desmucilador
ou pelo processo natural através de tanque de degomagem com água. A casca é
aproveitada na adubação e na alimentação animal, enquanto a mucilagem é
descartada, junto com a água do processamento. A casca e a polpa do café contem
carboidratos, gorduras, proteínas e minerais, podendo ser aproveitada na
alimentação de ruminantes, substituindo parte dos alimentos volumosos
necessários (BARCELOS & GONÇALVES, 2011). Segundo Southey (1919), a farinha
da casca de café vem sendo usada como ingredientes na fabricação de vários
produtos alimentares. A casca é comprada dos cafeicultores pela Coffee Cherry
Co. e transformada em farinha rica em antioxidantes e fibras e sem glúten. O
trabalho teve como objetivo determinar os teores de K, Ca Mg e Na no extrato
mucilaginoso dos grãos e de proteína, carboidrato, gordura, fibra e minerais na
farinha da casca de café.
MATERIAL
E MÉTODOS
Foram
utilizados frutos de café das variedades Oeiras e Catiguá, com casca de cor
vermelha e amarela, respectivamente, produzidos na fazenda Boa Safra, situada
no município de Paula Cândido - MG, e da variedade Catuaí Vermelho, produzidos
em duas propriedades vizinhas, situadas no município de Araponga - MG. No dia
em que foram colhidos, os frutos foram lavados com água tratada, por três
vezes, removendo-se manualmente os que boiaram; em seguida, os frutos verdes
foram catados e separados dos maduros, que foram descascados em descascador de café
cereja, sem o uso de água.
Os
grãos de café descascado foram colocados em bandeja de plástico com água destilada
suficiente para recobri-los e, no dia seguinte, foram peneirados e separados da
mistura constituída por água e mucilagem dos frutos, que neste trabalho denominou-se
extrato mucilaginoso. O extrato mucilaginoso foi analisado no Laboratório da
Analag Consultoria e Serviços, em Viçosa – MG, determinando-se os teores de K,
Ca, Mg, Na e N, conforme metodologia preconizada em Standard Methods for
Examination of Water and Wastewater (2005).
As
cascas foram postas para secar, em estufa com ventilação forçada, à temperatura
de 65 °C, durante 5 dias, após o que foi moída em micro moinho tipo Willye, TE
648. A farinha obtida foi analisada no Laboratório de Análise de Produtos
Alimentícios do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UFV, em Viçosa – MG,
determinando-se o teor de carboidratos, gordura, proteína, fibra bruta e
minerais, conforme métodos de análises físicas e químicas de alimentos do Instituto
Adolfo Lutz (2008).
RESULTADOS
E DISCUSSÃO
Os
teores de K, Ca, Mg, Na e N determinados no extrato mucilaginoso dos grãos de
café das variedades Oeiras, Catiguá e Catuaí Vermelho encontram-se na Tabela 1.
Observa-se que o extrato contém elevados teores de K, Ca, Mg e Na,
destacando-se o potássio na variedade Catiguá, e que os teores variam entre
variedades e locais de cultivo. Os teores de K e Ca chegam a superar àqueles
registrados na banana e no leite, por Aquino et al (2014) e Monteiro et al
(2016), respectivamente. Além da presença de minerais, Camargo et al (2015)
constataram a presença de proteínas, carboidratos, vitaminas, fibras, cafeína,
ácido clorogênico e compostos fenólicos no extrato da casca de café robusta. Um
extrato com esses componentes pode ser utilizado pela indústria para fabricação
de diversos produtos como refrigerante, licor, repositor eletrolítico, energético
e outros.
Tabela
1 – Teores de minerais, em mg.L-1, no extrato mucilaginoso dos
frutos de café arábica de diferentes variedades.
|
Variedade |
K |
Ca |
Mg |
Na |
|
Oeiras |
662 |
179 |
60 |
19 |
|
Catiguá |
3307 |
154 |
86 |
12 |
|
Catuaí vermelho a* |
919 |
317 |
114 |
98 |
|
Catuaí vermelho b* |
841 |
260 |
90 |
108 |
*Catuaí
vermelho produzido em propriedades confrontantes, situadas no município de
Araponga, Minas Gerais.
Os
teores de proteína, carboidrato, fibra, gordura, potássio e sódio determinados na
farinha da casca dos frutos encontram-se na Tabela 2. Os teores de proteína determinados
na farinha da casca das variedades Oeiras e Catiguá, com 9 e 8 mg.100g-1,
respectivamente, foram próximos daqueles obtidos por Barcelos & Gonçalves
(2011) na casca das variedades Catuaí, Rubi e Mundo Novo. Os teores de proteínas e lipídios foram
semelhantes e o de fibras é muito maior que aqueles determinados na farinha de
milho por Giacomelli et al (2012). A farinha da casca de café contém mais fibra
que a farinha de trigo, mais antioxidante que a romã e mais potássio que a
banana e pode ser usada em várias bebidas, na panificação e confeitaria
(SOUTHEY, 1919).
Foram
obtidos 3,8 e 3,6 L de extrato e 2,1 e 2,0 kg de farinha da casca a partir de
30 L de frutos da variedade Catuaí Vermelho cultivada em dois locais no
município de Araponga. Esses resultados indicam que o processamento de 480 L de
frutos, que é o volume estimado para se obter um saco de café, rende cerca de
59,2 L de extrato e 34,4 kg de farinha da casca, que
poderiam ser aproveitados
pela indústria para produzir alimentos, bebidas, fármacos e cosméticos.
Para
Tabela
2 – Teores de nutrientes e minerais, em g.100g-1, na farinha da
casca de duas variedades de café arábica.
|
Variedade |
Proteína |
Carboidrato |
Fibra |
Gordura |
Potássio |
Sódio |
|
Oeiras |
9 |
65 |
19 |
1 |
2700 |
5 |
|
Catiguá |
8 |
68 |
12 |
0,8 |
5150 |
9 |
que
os produtos derivados do extrato e da farinha possam ser aceitos pelo
consumidor, é preciso que o processamento dos frutos de café seja realizado em
condições higienizadas, o que atualmente não acontece. A melhoria das condições
e limpeza nas unidades de processamento vem sendo praticada por vários
cafeicultores que produzem cafés especiais, sobretudo por aqueles que exportam
o café, posto que seus clientes são exigentes quanto às condições de higiene. A
higienização permitiria associar mais um diferencial ao produto, e,
evidentemente, agregar valor ao “café higienizado”.
CONCLUSÃO
O
extrato mucilaginoso dos grãos e a farinha da casca de café contêm proteína,
carboidrato, fibra e minerais e podem ser aproveitados pela indústria para
fabricação de vários produtos.
REFERÊNCIAS
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Café, a commodity carbono zero
Comer Café, a nova maneira de degustar o delicioso arábica, o nosso energético do dia a dia
O café tem acordado a humanidade há mil anos. É gostoso e traz energia. Este projeto COMER CAFÉ, a nova maneira de degustar o arábica qu...
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A bebida de café é a mais consumida do mundo, mais até do que a Coca Cola, o uísque escocês ou mesmo o leite in natura. E consegue ter e...
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Por quê aqui se fala em comer café? Nosso projeto tem o objetivo de produzir farinha nutritiva utilizando o excedente da fruta madura de c...
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Frutas de café variedade Catuaí amarelo na Fazenda Paiol, Três Corações, Minas Gerais O negócio do café no Brasil é muito importante para de...


